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Conan the Barbarian (1982) - John Milius

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Conan the Barbarian (1982) - John Milius

Mensagem por Zé da Adega em Qua Abr 26 2017, 22:58

Não tenho a certeza se este filme se enquadra na secção principal do Xploited, a primeira parte do tópico (esta mensagem) foi escrita em 2014, mas o trailer e primeira análise, que irei postar, nas próximas duas mensagens foram criados hoje.

Conan e os Bárbaros / Conan the Barbarian




Título original: Conan the Barbarian
Título português oficial: Conan e os Bárbaros
País(es) de origem: E.U.A.
Data de lançamento*: 16 de Março de 1982 (Espanha) / 30 de Setembro de 1982 (Portugal)
Realizador: John Milius
Género(s): Fantasia, Aventura
Duração: 129 min

*On March 16, Conan the Barbarian had its worldwide premiere at Fotogramas de Plata, an annual cinema awards ceremony in Madrid(...) (Wikipédia)

IMDB / Wikipedia (inglês)





Sinopse:

Esta adaptação livre do universo de fantasia histórica, criado em 1932 pelo escritor Robert E. Howard, conta a história épica de Conan, último sobrevivente da sua tribo Ciméria, que foi escravizado em menino, tornou-se gladiador, e mais tarde conquista a liberdade, movido pela obcessão de vngar o genocídio do seu povo.


Trailer original




Uma obra de arte pioneira do Cinema



Desconheço o background literário que inspirou este filme, mas tentarei fazer um resumo, a partir do wikipédia.



O escritor texano Robert E. Howard, tinha grande interesse por História, mas não tinha nem o tempo, nem os recursos, para pesquisar o enquadramento para as aventuras do novo género literário Sword & Sorcery criado por ele.

Por isso ele inventou/criou uma época fictícia anterior às civilizações clássicas.



The Hyborian Age is a fictional period within the artificial mythology created by Robert E. Howard, in which the sword and sorcery tales of Conan the Barbarian and Red Sonja are set.

The word "Hyborian" is a transliterated contraction by Howard of the Ancient Greek "hyperborean", referring to a "barbaric dweller beyond the boreas (north wind)."[1] Howard stated that the geographical setting of the Hyborian Age is that of our Earth, but in a fictional version of a period in the past, c. Upper Paleolithic (40,000 to 10,000 B.C.).[2]

The reasons behind the invention of the Hyborian Age were perhaps commercial: Howard had an intense love for history and historical dramas; however, at the same time, he recognized the difficulties and the time-consuming research needed in maintaining historical accuracy. By conceiving a timeless setting – a vanished age – and by carefully choosing names that resembled our history, Howard avoided the problem of historical anachronisms and the need for lengthy exposition.[3]

Aqui está a foto do escritor:



Em relação ao filme, entendo que a adaptação não seja suficientemente fiel para agradar aos conhecedores,das obras literárias do autor, mas é um filme com dignidade e qualidade, ele próprio pioneiro no conceito de Cinema do género Sword & Sorcery.

Uma das minhas muitas cenas favoritas deste filme, é a discussão teológica/filosófica entre Conan e Subutai.

Nota: Quando escrevi isto em 2014, tinha mostrado um vídeo do You Tube, que já não se encontra disponível. Mas este tópico ainda não está fechado e tentarei mais tarde procurar outro vídeo e falar desta cena noutra mensagem.

A personagem Subutai é inspirada no grande general mongol, com o mesmo nome:

http://en.wikipedia.org/wiki/Subutai



O magnífico texto do wikipédia, acerca do filme, é muito extenso e pesado, mas eu li-o com a mesma curiosidade de uma criança, quando parte um brinquedo para descobrir o mistério do que lá está dentro e de como funciona.

Em minha opinião, o que torna este filme uma obra de arte e obra-prima foi uma conjectura rara de factores, em que "os astros estavam alinhados", e um bom trabalho de equipa. Alguns elementos-chave (de entre muitos), sem nenhuma ordem em particular:

- Música de Basil Poledouris
- Argumento inteligente e interessante de Oliver Stone
- Filmagens em ruínas mouras e romanas em Espanha
- Produção e realização não-hollywoodesca, em que Dino de Laurentis e John Milius pretendiam maximizar a qualidade

Esta configuração é frágil como um castelo de cartas, se falha um dos pilares, o resultado será o desastre da sequela "Conan o Destruidor" ou "Kalidor a lenda do talismã".

After the worldwide success of CONAN THE BARBARIAN, it was inevitable that a sequel would be made (director John Milius envisioned the saga as a trilogy, with an aged Conan ruling his own kingdom in the final chapter). But Universal, seeing star Arnold Schwarzenegger as appealing more to younger audiences, did not like the R-rated combination of gore, sex, and machismo philosophy of the first film, so Milius was unceremoniously dumped, and more family-friendly action director Richard Fleischer was brought in to helm CONAN THE DESTROYER.

Working with a script by comic book scribes Roy Thomas and Gerry Conway, much of what made the first film so unique was tossed aside. While Milius had Arnold lose weight and study Oriental swordsmanship, in an effort to tone down the bodybuilder look, and make him more flexible and believable as an arena-trained warrior, Fleischer ordered the actor to bulk up as much as possible, hoping to recreate the impossibly-muscled giant painted by Frank Frazetta on the covers of the paperback CONAN novels. Instead of being a taciturn loner, Conan would joke and 'care' about people, with an idiot sidekick (Tracey Walter) to provide comic relief. Bloodletting would be mainly off-camera, sex would consist solely of flashes of cleavage, and any monsters faced would be toned-down so children wouldn't be traumatized. While all this succeeded in garnering a PG rating, the end result was less Robert Howard's barbarian, more the generic B-movie hero seen in the dozens of imitations CONAN THE BARBARIAN had inspired.


IMDB: 8 September 2003 | by Ben Burgraff (cariart) (Las Vegas, Nevada)


Algumas curiosidades do wikipédia, ilustradas com os meus screenshots


The three actors were given martial arts training ahead of filming. From August 1980,[100] they were tutored by Kiyoshi Yamazaki, a karate black belt and master swordsman,[124] who drilled them in sword-fighting styles that were meant to make them look proficient in using their weapons.[125] They practiced each move in a fight at least 15 times before filming.[126] Yamazaki advised Leonard on the choreography of the sword fights and had a cameo role as one of Conan's instructors.


Scenes of a bazaar were filmed at the Moorish Alcazaba of Almería, which was dressed to give it a fictional Hyborian look.


The Temple of Set was built in the mountains, more than 12 kilometers (7.5 mi) west of the city of Almería. The structure was 50 meters (160 ft) long and 22 meters (72 ft) high. It was the most expensive of the sets, costing $350,000, and built out of various woods, lacquers, and tons of concrete. Its stairway had 120 steps

A minha música preferida do filme:



Este texto não foi nenhuma análise ou critica, consistiu apenas em algumas curiosidades do wikipédia, acompanhadas da minha opinião pessoal, acerca de um filme que sempre adorei e admirei. Este é um filme muito bonito, feito com competência técnica, artística e amor pelo Cinema.



A minha classificação: 100%

Algumas imagens espectaculares que tirei:
Spoiler:
























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Re: Conan the Barbarian (1982) - John Milius

Mensagem por Zé da Adega em Qua Abr 26 2017, 23:00

Trailer musical, criado por mim, com banda sonora original do filme, por Basil Poledouris

Faixas utilizadas, por ordem:

"Battle of the Mounds, Part 1"
"Theology/Civilization"

A montagem musical incide apenas na primeira parte do filme, funciona como trailer (não contém spoilers), como teledisco para os apreciadores da música ou simplesmente como homenagem poética a este trabalho de arte (para eu ver e rever de vez em quando), pois este é o filme que considero ter a melhor banda sonora da história do Cinema. cheers

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Re: Conan the Barbarian (1982) - John Milius

Mensagem por Zé da Adega em Qua Abr 26 2017, 23:08

Análise e apreciação de alguns aspectos



Acabei agora de rever este filme pela enésima vez, esta produção tem realmente todas as qualidades e elementos de um filme Art House e consegue ao mesmo tempo manter o total agrado popular das massas de todas as idades. É um filme comercial, com a qualidade artística e erudita de um bom filme Art House. Uma configuração muito estranha e rara...

Para já, gostaria de focar o enredo, escrito pela dupla Oliver Stone e John Milius, ambos homens muito "perigosos" para os actuais estúdios de Hollywood, mas em 1982 vivia-se a Golden Age do cinema norte-americano, e não existia o domínio de Hollywood no cinema dos EUA, por exemplo os estúdios norte americanos da Dino de Laurentis situavam-se em Wilmington no estado da Carolina do Norte. Não se pode utilizar livremente o termo Hollywood quando falamos em cinema norte americano dos anos 70 e 80, dada a diversidade, democracia, liberdade moral, ética e artística dos estúdios de cinema norte-americanos, que nem sequer estavam todos instalados no estado da Califórnia, na tão famigerada localidade de Hollywood. Para além disso este filme foi todo filmado em Espanha, e aparecem mesmo José Pedros e José Antónios nos créditos da parte técnica, onde não se vê quase nenhum nome anglo-saxónico.



Puritanismo aqui não há, e temos nudez topless e orgias sexuais, mas feitas com arte sem exploitation. Vi este filme duas vezes no cinema, com uns 9 e 11 anos de idade, e é assim que deve ser, pois este filme agrada também muitíssimo às crianças. Quando tinha 9 anos, teve de ser o vizinho de 16 anos a responsabilizar-se perante o empregado do cinema, e aos 11 não houve problema quando o fui rever com um amigo meu da mesma idade que também delirava com o filme, ambas as visualizações num cinema de aldeia em que era mais fácil uma criança entrar do que num cinema de Lisboa. Isto é um filme para todas as idades, com um argumento inteligente.



Será sobre esse argumento inteligente que irei falar, e começarei pela componente mais difícil de escrever por mim, pois terei de ter cuidado para não ofender as crenças religiosas dos leitores.

Começando pela imagem abaixo...



- secção em revisão -



- secção em revisão -



O filme pode ser passado no ano 10.000 A.C. numa era fictícia, mas denuncia determinados líderes religiosos, através do antagonista Thulsa Doom.



Este Thulsa Doom comporta-se como líder religioso extremista, ou seja é um gajo psicopata e mau, sedento de poder e muito inteligente, que manipula as massas dos seguidores para consolidarem o poder desse líder religioso.



No filme ele explica ao Conan, que o verdadeiro poder é controlar as massas de forma religiosa, e demonstra-o dando ordem a uma seguidora fanática religiosa, para se suicidar, atirando-se do alto.

Não estamos perante um filme com um argumento trivial, e este exemplo não se trata de um caso isolado, na inteligência do enredo do filme.

Vamos a mais exemplos, agora de forma inócua, sem nenhuma polémica religiosa...

As comunidades antigas, antes das primeiras civilizações da Suméria, Mesopotâmia, Babilónia, etc. tinham o conceito do "Conselho de Anciões", onde as pessoas idosas da comunidade eram consideradas sábias (com razão de ser, pela maturidade e sabedoria da velhice) e mandavam nos jovens. Eu gostaria de ver um filme com esse elemento, mas também não será este que o contém... No entanto existem vários diálogos do filme, que contêm ensinamentos sábios dessa natureza.



O velho Rei Osric explica ao Conan, que chega uma idade em que as joias perdem o brilho, e deixa de ter importância o poder, riqueza e bens materiais, e tudo o que resta é o amor de um pai pela sua filha, que se tornou seguidora fanática religiosa do referido Thulsa Doom.



O meu Reino pela minha filha...

O velho Rei Osric despeja joias no chão e pede aos ladrões para trazerem a sua filha de volta, que os recompensará para cada um se tornar um rei ou rainha ele próprio.

Este diálogo revela sabedoria, pois as pessoas velhas sabem dar valor ao que mais importa, como a saúde e paz de espírito e desvalorizam as futilidades.



Uma decisão trágica que o Conan tem de tomar será deitar a perder tudo o que conseguiu, em nome da sua sede de vingança. A Valéria, uma mulher de grande sabedoria e simplicidade, implora-lhe para dar valor ao que já tem e ser feliz, e não deitar por terra a felicidade dele, em nome da vingança ao homem que matou todo o seu povo, quando ele era menino.

Este é um ensinamento moral saído dos "Cautionary Tales" das escritas da Grécia Antiga study  e da tradição oral da Europa Medieval , vulgo contos tradicionais.



Por último, vi uma versão que contém uma cena cortada no DVD português, bem como na versão que a RTP 1 transmitiu por volta de 1995 e que eu gravei em VHS.

Nesta cena bonita e filosófica, o Conan revela a idade dele, dizendo que se lembra de há 20 anos atrás, quando tinha 4 ou 5 anos de idade, das folhas das árvores da aldeia dele, durante a primavera e que gostaria de voltar a ter a paz desse tempo. O Subutai diz que também pensa em voltar à vida pacata da aldeia dele, mas sabe que mais cedo ou mais tarde voltaria "a esta vida de ladrão" e provavelmente em pior companhia. O Subutai tem imensa admiração pelo Conan que lhe salvou a vida.



O Conan lamenta 20 anos a sofrer como um escravo, sem ter uma noite com sono descansado como os homens normais, ele revela que já não pode voltar atrás e a natureza de ambos é essa vida de ladrão e mercenário.

Curiosamente esta cena cortada no DVD português, possui um Arnold Schwarzenegger a ter esta conversa inteligente e madura, sem aquele tom de voz esquisito dele, parece mesmo um actor normal. Surprised Mas é mesmo a voz dele, não se trata de montagem ou dobragem.
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Re: Conan the Barbarian (1982) - John Milius

Mensagem por Zé da Adega em Qui Abr 27 2017, 08:49

A parte que escrevi acerca da religião no presente filme, não está boa e pode ser mal interpretada. Estou a decidir como re-escrever essa parte de forma diplomática e objectiva.

Irei prosseguir o tema da religião, que está presente da mesma forma nestes outros dois filmes do mesmo realizador-argumentista (e que eu tinha em VHS). No primeiro ele foi apenas argumentista.





Eu tinha detectado este padrão ontem, quando li o wikipedia do John Milius. Irei falar dos dois filmes acima, a propósito do personagem Thulsa Doom.

Entretanto, continuo na dúvida se este filme será off-topic aqui na secção geral. Não quero cometer nenhum abuso e presumo que os moderadores possam mover estes posts por exemplo para aquele tópico "o meu cantinho", na secção off-topic.

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Re: Conan the Barbarian (1982) - John Milius

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