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Z.P.G. (1972) - Michael Campus

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Zé da Adega
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Z.P.G. (1972) - Michael Campus

Mensagem por Zé da Adega em Dom Jan 15 2017, 02:08



https://en.wikipedia.org/wiki/Z.P.G.
http://www.imdb.com/title/tt0069530/

Sinopse

On a grim, smog-engulfed 21st-century Earth, humans are forced to wear atmospheric masks and protective suits to survive the harsh environment. Life is further dehumanized by the state’s constant surveillance and daily meals consisting of synthetically produced entrees delivered in plastic tubes and on trays.

Pollution and overpopulation have destroyed most of the natural habitat, necessitating a government edict forbidding humans from procreation for a thirty-year period. To calm the maternal instincts of childless mothers, mechanical doll infants and toddlers are available for adoption at Babyland. Carol and Russ McNeil wait for hours in the long line for the dolls, but are so disturbed by their artificiality and recorded slogans that they abruptly leave and return to work at the Natural Habitat of 20th Century Man, a state-operated facility that showcases replicas of flora and fauna long since extinct, including once-common rabbits, turtles, cats and dogs.

As part of the exhibits, Carol and Russ dwell in authentic replicas of 1970s apartments, where they are occasionally on display, allowing visitors to view them dining with their neighbors, George and Edna Borden, simulating 20th-century conversations. (Wikipedia)

Trailer feito por mim

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Re: Z.P.G. (1972) - Michael Campus

Mensagem por Zé da Adega em Dom Jan 15 2017, 02:13

Ficção científica "dura"



A corrente filosófica da ficção científica ("hard sci-fi"), na qual este filme é um dos mais fortes, é o meu sub-tipo preferido do tema da ficção científica. No entanto só agora descobri acidentalmente a existência desta pérola, quando estava a ler a lista de filmes do Festival Internacional de Cinema Fantàstic de Catalunya (The Sitges Film Festival).

https://en.wikipedia.org/wiki/Sitges_Film_Festival

Vim a saber que a obscuridade desta obra resulta do filme ter estado 30 anos fora de circulação, mais informação aqui:

http://www.deadchannels.com/z_p_g.php



O filme arranca com um discurso (excelente) de um líder de uma nação a anunciar que por decisão unânime do Conselho Mundial, entra em vigor a proibição de novas gravidezes, por um período de 30 anos. Neste futuro longínquo a Terra é composta por uma federação de nações, sujeitas a um governo mundial, que estão em paz desde o final precoce da guerra fria ocorrido em 1978, com o desmantelamento global do arsenal nuclear.



Os escritores Max Simon Ehrlich e Frank De Felitta terão imaginado em 1971, que daí a 7 anos a guerra fria iria acabar, devido aos primeiros sinais de uma crise mundial com escassez de comida e sobre-população. Esta dupla de escritores (também produtores deste filme), escreveram o seu livro The Edict muito influenciados pelo biólogo alarmista Paul R. Ehrlich, que em 1968 escreveu um livro científico (obviamente errado) a prever uma iminente crise mundial de sobre-população.

https://en.wikipedia.org/wiki/The_Population_Bomb



Um aspecto curioso e de grande interesse pessoal para mim é o dos escritores, que escreveram quer o livro, quer o argumento do filme, serem produtores executivos e assistentes deste filme. O estúdio Paramount apenas esteve envolvido como distribuidor, pois este não é um filme feito em Hollywood. O filme foi financiado pelo produtor Thomas F. Madigan, e o pequeno estúdio norte-americano responsável pelo filme chama-se Sagittarius Productions, Inc. Este estúdio Sagittarius contratou técnicos ingleses e filmou o filme na Dinamarca, a meio da produção tiveram de despedir o realizador Michael Campus, o realizador-assistente e o director de fotografia, por estes faltarem ao respeito ao livro.

Eu aplaudo esta decisão! Mais informação no American Film Institut:

http://www.afi.com/members//catalog/DetailView.aspx?s=&Movie=54712



Nesta sociedade (estado policial) do futuro, os líderes religiosos e políticos do século XX são considerados criminosos da História, culpados de crimes contra a humanidade, no verdadeiro e mais forte sentido do termo. Os papas do século XX são destacados na galeria oficial dos piores criminosos da História.



A razão da Igreja ser vilificada por esta sociedade do futuro, tem a ver com a sua posição histórica contra o aborto e anti contraceptivos. Reparem que neste cenário catastrófico do filme a eco-esfera da Terra foi destruída e toda a vida animal (excepto os seres humanos) estão extintos. É natural que uma sociedade deprimida que viva num mundo destruído, olhe com desdém para os antepassados que contribuíram para o cataclisma.

Eu não concordo que o Papa tenha essa influência sobre a sociedade, e basta olhar para Portugal, país católico. Nós não temos nenhum problema de sobre-população e não vejo os portugueses que conheço (os que são católicos crentes) a deixarem de usar contraceptivos só porque os Papas eram contra (não sei se os papas já mudaram a posição sobre o tema). Portanto não estou de acordo com esta crítica à Igreja, feita pelo filme.

Para evitar algum mal entendido, resultante de uma leitura por alto do que escrevi, eu não estou a criticar o Santo Padre e se lerem com atenção, até estou a defender a Igreja, perante a sociedade desse futuro imaginário catastrófico. O filme não causou qualquer polémica, porque essa referência surge de fugida no filme, e é preciso estar muito atento para a captar, conforme podem ver no meu trailer da ficha técnica.

(Nota do autor: Eu sou ateu, mas aqui estou a defender a Igreja porque não concordo com esse pormenor do filme. No dia em que eu comentar um filme acerca do Galileu, logo veêm "com quantos paus se faz uma canoa".)



Mas o caso muda de figura na crítica a determinados empresários da indústria e a certos políticos corruptos que estão a mando deles. Aí parece-me bem que no futuro exista uma galeria de criminosos com alguma dessa gente.

Um factor-chave que terá acelerado a explosão populacional da Terra, foi o rápido progresso da medicina que curou o cancro e todas as doenças, sem que a sociedade tenha mudado as leis e mentalidades, de forma a poder ajustar-se. Neste aspecto o filme é muito inteligente e relevante, porque esta questão vai mesmo colocar-se no mundo real. Eu vou ainda mais longe e chamo a atenção para os cientistas que estão neste momento a estudar o mecanismo que regula o envelhecimento nos mamíferos, eu pergunto como a sociedade irá reagir, quando a medicina conseguir travar o envelhecimento?



Se a imortalidade via ciência realmente chegar em 20 anos, como alguns especialistas afirmam, ela provavelmente estará disponível apenas para alguns sortudos. Isso vai ser bom para os fundadores da Calico, é claro. E – numa outra hipótese – caso um avanço inesperado torne a receita mágica da imortalidade disponível para todos na Terra, isso também não vai transformar nosso planeta no paraíso. Muito pelo contrário.

As potenciais consequências de um mundo sem mortes podem ser muito negativas nos dois cenários mencionados acima. Se a imortalidade e a tecnologia em saúde regenerativa estiverem disponíveis apenas para alguns, haverá uma separação dos seres humanos entre ricos semideuses imortais e o resto de nós, pobres mortais.

Se, por outro lado, o elixir da vida estiver disponível para todos, deverá ser criada uma legislação específica no sentido de proibir a reprodução para evitar a superpopulação e a consequente destruição do planeta.

Se isso acontecer, imagine as implicações de negar a nós mesmos a possibilidade de termos novas pessoas na Terra. A ideia de não termos mais outro Einstein entre nós é aterrorizante – mesmo se as pessoas inteligentes já vivas fossem capazes de desenvolver seu intelecto e construir o seu conhecimento ao longo dos séculos, em vez de apenas algumas décadas. Fonte: http://hypescience.com/imortalidade-google-projeto/

Artigo sobre investigador português premiado: http://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/abrandar-o-envelhecimento?artigo-completo=sim



- Fim da Parte I -


Última edição por Zé da Adega em Dom Jan 15 2017, 02:35, editado 1 vez(es)
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Re: Z.P.G. (1972) - Michael Campus

Mensagem por Zé da Adega em Dom Jan 15 2017, 02:17

- 2ª parte da minha análise e apresentação do filme -



A história do filme decorre no ano 9 Após Decreto. Quando o decreto entrou em vigor, as mulheres grávidas foram registadas e os seus bebés gravados com um chip de segurança. Estes seriam os últimos bebés legais durante o período de três decadas, como medida extrema para reduzir a população da Terra. Qualquer criança não autorizada é de imediato executada em público, junto com ambos os pais.

Na sociedade do futuro estas crianças são vistas como uma ameaça à sobrevivência da espécie humana, e seus pais culpados do maior crime contra a humanidade.



Esta sociedade do futuro é governada por um regime totalitário, alguns aspectos desse totalitarismo são semelhantes ao Estalinismo da União Soviética e outros são semelhantes ao actual estado policial dos EUA no século XXI. Irei começar por comentar as semelhanças ao período em que o Estaline foi líder da URSS, e depois abordarei as semelhanças marcantes com o estado policial norte-americano da actualidade.

O ditador Estaline, enquanto viveu, ficou conhecido por "alterar" oficialmente a História, em concreto o homem manipulava livros de História da forma que mais lhe convinha e mandava retocar fotografias, para "fazer desaparecer" inimigos do regime. Quem levou esse totalitarismo ao extremo foi a Coreia do Norte, porque ainda hoje o povo norte-coreano não sabe nem sonha que a URSS foi desintegrada no ano de 1991, os desgraçados julgam que ainda existe a guerra fria e Pacto de Varsóvia.

Neste filme verificamos idêntica manipulação da História, na "versão oficial" do antigo mundo do século XX.



Quanto à semelhança entre o actual estado policial norte-americano e o regime totalitário apresentado neste filme, na altura ainda ficção científica premonitória, vou apresentar dois vídeos semelhantes, um é um excerto deste filme e outro é uma notícia de um caso semelhante ocorrido nos EUA.


ZPG (1972) - government surveillance scene from Clips do Zé on Vimeo.



Neste primeiro vídeo, aqui a espionagem electrónica da Internet é ainda ficção científica, o protagonista pretende pesquisar "Premature Births", mas como sabe que o governo está a monitorizar os termos de pesquisa, pesquisa antes pela ordem religiosa "Premonstratense" (termo alfabeticamente consecutivo no índice de pesquisa), para ter o alibi de ter seleccionado "Premature Births" acidentalmente.



Essa ordem religiosa existe mesmo, conforme poderão verificar aqui:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_Premonstratense

Agora irei mostrar uma notícia de 2013, e ficam a saber que eu utilizo o motor de busca "DuckDuckGO" há três anos. Desde o dia em que li essa notícia, nunca mais usei o Google.





A versão texto da notícia que li na altura era muito mais detalhada, dramática e assustadora, do que é apresentado no vídeo resumido acima.

O filme apresenta ainda outro aspecto de um estado policial, que felizmente é ainda apenas uma fantasia da ficção científica, que é o "mind control" por sugestão hipnótica electrónica.



Nesta versão do futuro as pessoas fazem compras e têm consultas médicas via vídeofone. Eu lembro-me de ver um vídeofone da Portugal Telecom no Centro Comercial Fonte Nova, na segunda metade dos anos 1990, era uma cabine telefónica que fazia vídeo-chamadas, instalada ao lado doutra cabine telefónica normal, nunca vi ninguém usar aquilo, pois a quem poderíamos nós fazer uma video-chamada na década de 1990? Entretanto essa tecnologia chegou com a Internet e os smartphones, mas a sociedade e a natureza humana não aderiu a esse sonho de outrora da ficção científica, afinal um homem gosta de estar em casa à vontade em cuecas e despenteado e não quer ser filmado quando faz um telefonema. Curiosamente este filme antecipa a aversão humana ao vídeofone, numa cena em que o casal do filme, acciona acidentalmente uma chamada. É de realçar que no filme "Demolition Man" de 1993, o Sylvester Stallone fica atrapalhado quando atende uma vídeo-chamada por engano de uma mulher toda nua, em 1993 ainda se pensava que o vídeofone seria a "onda do futuro".



- Ainda não terminei e irei escrever uma parte III noutra altura -

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Re: Z.P.G. (1972) - Michael Campus

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