Forum de cinema fantástico.


Silent Running (1972) - Douglas Trumbull

Compartilhe
avatar
Zé da Adega
Ultimate Zombie
Ultimate Zombie

Número de Mensagens : 568
Pontos : 1964
Data de inscrição : 26/12/2014

Silent Running (1972) - Douglas Trumbull

Mensagem por Zé da Adega em Qui Set 15 2016, 02:53



[Clips]

Introdução do filme:



Montagem musical:



https://en.wikipedia.org/wiki/Silent_Running
http://www.imdb.com/title/tt0067756/

Realizador, contexto e importância deste filme


Douglas Trumbull (1942 - ...) - Ele ainda está vivo

1970–1974

Having returned to Hollywood, Trumbull set up his own company and subsequently bid on the job to produce special effects for the science-fiction film The Andromeda Strain. ("I was a young guy and very naive", he later recalled, "And I seriously underbid the job – I had no idea what these things were supposed to cost. I nearly went bankrupt as a result!") Trumbull and associate James Shourt produced dozens of shots, including the "electron microscope" pictures of the Andromeda organism and various on-screen readouts. Though many of these looked like computer graphics, they were created using techniques Trumbull had used for 2001. Author Michael Crichton and director Robert Wise were much impressed by Trumbull's work.

Trumbull's participation and success on Andromeda set him up to direct the 1971 film Silent Running, with a script based on his original treatment: America's last great forests are preserved and sent into space inside huge geodesic domes, in the hope that one day they can be returned to an earth that can once again sustain them. When orders are issued by faceless bureaucrats to abandon and destroy the domes, the ship's botanist (Bruce Dern) rebels and takes over the ship, aided by three anthropomorphic "drone" robots. He steers the ship away from the fleet and hides among the rings of Saturn, out of contact (silent running), attempting to keep the forest in good health, alone except for the drones who follow him around like pets.

Silent Running was produced by Universal on a shoestring budget of one million dollars, one-tenth the budget of 2001. The film used a number of special effects techniques that Trumbull had helped develop. The spacecraft interiors were shot aboard a mothballed aircraft carrier, which lent its name to the movie spacecraft Valley Forge. Trumbull was not originally slated to direct, but as the start of production loomed he became the obvious choice. (Other newcomers included the script writing team of Deric Washburn and Michael Cimino, who would later collaborate on The Deer Hunter, along with writer Steven Bochco of Hill Street Blues and L.A. Law fame.)

When Silent Running was released, insiders were astonished that the finished film had been produced for so little money. Lead actor Bruce Dern compared Trumbull's creative vision to that of Alfred Hitchcock, with whom Dern had also worked. Trumbull was seen as one of Hollywood's up and coming young directors.

Although a critical success, Silent Running was a flop at the box office. Trumbull recalled that "It was just a great experience for me as a film maker, but I didn't know that I was part of an experiment by Universal Studios . . . to see if it was possible to have a movie survive on word of mouth alone without an advertising campaign." It was not, but Silent Running's environmental message struck a chord, and the movie has since became a cult classic.

After Silent Running, Trumbull developed a number of movie projects, but a series of misfortunes and bad luck kept them from getting beyond the initial development stage. One project nearly did get into production, and was already being cast when it was abruptly scuttled – the investor had decided to abandon the movie business and build a Las Vegas casino instead. Trumbull described this period of his career as "development hell." Unable to live on development fees alone and needing money, Trumbull returned to creating special effects, including some uncredited work using blue screen techniques on the 1974 film The Towering Inferno, a huge commercial hit.

Chamada de atenção de enorme relevo e destaque, acerca do conceito do cinema americano estoirar e desperdiçar metade do orçamento de um filme em reclames publicitários, publicidade enganosa que manipula o povo que não se apercebe que devido à publicidade, esses filmes apenas tiveram metade do dinheiro e por isso não sobra dinheiro para contratar 10 mil figurantes, caso fosse um filme histórico. Este filme foi uma experiência de Hollywood, em que não foi gasto dinheiro em publicidade, tal como se de uma produção da União Soviética se tratasse, onde a publicidade era proibida e considerada traição aos valores da pátria:

Although a critical success, Silent Running was a flop at the box office. Trumbull recalled that "It was just a great experience for me as a film maker, but I didn't know that I was part of an experiment by Universal Studios . . . to see if it was possible to have a movie survive on word of mouth alone without an advertising campaign." It was not, but Silent Running's environmental message struck a chord, and the movie has since became a cult classic.

Cinema de intervenção ecológico-ambiental no espaço



O contexto em que este filme se insere na história do cinema, é digno e merecedor de uma grande discussão e debate, tal como acontece por esse mundo fora, seja no IMDB ou em fóruns como este, onde escrevo esta análise pessoal. Este filme é exemplo da liberdade e da grandiosidade do cinema norte-americano, em redor da mítica década de 1970, que foi uma década de cinema muito especial, por motivos vários.



Existe uma corrente de pensamento da qual faço parte, que considera a liberdade criativa e política do cinema norte-americano da década de 1970, como sendo uma Idade de Ouro, à qual se seguiu uma "crise" ou Idade das Trevas, desde a década de 1980 até hoje.

Este filme foi feito numa era em que ainda era possível um enredo minimamente inteligente e que por essa definição não estava constrangido com um fórmula/estrutura de enredo desprezível e repetitiva, utilizada daí em diante na tal Idade das Trevas, que se seguiu.

As teorias para esta "Idade das Trevas" são várias, começando por um comentador do IMDB que diz que o presidente Ronald Reagan pressionou e manipulou os donos dos estúdios, no sentido de bloquear cinema crítico ao regime dele (tal qual o Salazar e o Estaline), embora essa suposição careça ainda de provas documentadas pelo wikileaks. Depois temos as teorias económicas da falência de um grande número de estúdios norte-americanos (United Artists e outros), que provocou o fim da diversidade da liberdade de cinema, e abriu o terreno para acordos internos de cavalheiros entre os estúdios.



Este Silent Running é um filme visualmente muito bonito e impressionante, onde foi utilizado um porta-aviões descomissionado para as filmagens interiores e maquetas em miniatura para as filmagens no espaço. É um filme feito com pouco dinheiro, mas feito em boa fé e com amor ao cinema por parte do realizador.

Este é um de dois filmes de ficção científica, em que é mostrada uma nave espacial a atravessar os anéis de Saturno, sendo o outro filme o "Piloto de Teste Pirxa", uma co-produção do bloco soviético de 1979 (sete anos mais tarde) entre a Polónia, Estónia e Ucrânia, tenho algumas imagens desse filme para compararmos:

[Imagens do Test Pilot Pirx]





[Imagens do Test Pilot Pirx]

O filme do bloco soviético foi feito 7 anos mais tarde, com o apoio dos governos da Estónia, Ucrânia e Polónia, ao passo que este filme americano foi feito com poucos meios e com pouco dinheiro, e o próprio realizador americano Douglas Trumbull desistiu da carreira de cineasta e decidiu antes abrir um casino em Las Vegas.

Uma diferença de sete anos é muito tempo a nível de efeitos especiais na década de 1970, porque pelo meio, entre 1972 e 1979, foi lançado o Star Wars. Eu diria que o Silent Running está excelente para 1972, a nível visual, mas com a devida nota de falha para os fracos efeitos das explosões nucleares no espaço e os anéis de Saturno.

Se alguém quiser espreitar a minha crítica (com vídeos) do filme soviético "Piloto de Testes Pirxa", está aqui: http://xploitedforum.vampire-legend.net/t2404-test-pilota-pirxa-1979-marek-piestrak



Voltando ao filme do tópico, esta história começa a bordo de uma armada de naves espaciais, que contêm bioesferas com os últimos vestígios da flora e fauna do planeta Terra. O protagonista, uma espécie de engenheiro agrónomo, dedicou os últimos oito anos a cuidar das plantas e animais, quando recebe a ordem para detonar com bombas nucleares as bioesferas, de forma a retornar as naves espaciais ao serviço comercial de empresas norte-americanas, em nome do lucro financeiro.

Ao contrário dos outros três colegas astronautas que cuidam das bioesferas da sua nave espacial, o protagonista torna-se mentalmente desequilibrado e psicótico, e fica disposto a fazer tudo, até matar pessoas, para salvar nem que seja uma bioesfera.



Sendo assim o protagonista não é um herói da fita, e comporta-se antes como um fanático religioso assassino que acha que a vida de uma árvore merece que ele mate um homem. Mas é aqui que reside a riqueza dos enredos da Idade de Ouro do cinema americano dos anos 70, puro cinema de intervenção com mensagem social, que deixa o espectador com um dilema, sem saber como analisar e absorver o dilema complicado que está a ver.

Neste futuro estranho e bizarro do filme, os Estados Unidos da América dominaram por completo todos os povos e nações do planeta Terra, mas ao mesmo tempo não existe desemprego e todos os humanos são felizes (embora a superfície da Terra já não seja habitável). Eu não percebo bem que utopia ou distopia seja esta, em que a Terra está devastada, mas todos os humanos são felizes e não existe desemprego, e onde o sistema capitalista dos EUA manda destruir as bioesferas com as últimas amostras da fauna e flora da Terra, em nome do lucro.



É disso que se fala na cena da imagem acima, embora eu julgasse que utopias sci-fi sem desemprego fossem associadas ao comunismo e que uma regra de ouro do capitalismo fosse a necessidade de desemprego (lei da oferta e da procura, com o intuito de explorar o trabalhador). Fiquei confuso...

Na segunda parte do filme, temos o sub-género "survival" com o astronauta sozinho a lidar com a solidão. Eu penso que a fraqueza do filme está na curta duração de 90 minutos, porque um filme "survival" estilo o "Castaway" ou qualquer adaptação cinematográfica do livro do Robinson Crusoé consegue ser muito interessante, mas neste filme há algo que falha ou que sabe a pouco.



Este não é dos melhores filmes de ficção cientifica da década de 1970... o filme é bom e não tenho nenhuma falha em concreto a apontar, mas falta-lhe qualquer coisa e eu diria que lhe falta tempo, 90 minutos não chegam para desenvolver esta história.



Termino com um screenshot intenso de um baldinho amolgado para regar as plantas, que só quem tiver visto o filme entenderá a forte carga emocional desta imagem, no seu contexto próprio...


    Data/hora atual: Seg Nov 20 2017, 07:48