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Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

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Zé da Adega
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Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Zé da Adega em Seg Ago 03 2015, 00:52



https://en.wikipedia.org/wiki/Bram_Stoker%27s_Dracula
http://www.imdb.com/title/tt0103874/

Introdução histórica no ano 1462, que combina o Vovóide da Valáquia Vlad Tepes, com a personagem sobrenatural criada pelo escritor Bram Stocker. A versão original americana, mostrada aqui, já inclui estes diálogos em romeno (cortesia de uma actriz romena que ensinou os restantes actores):

Dracula (1992) Intro from Clips do Zé on Vimeo.

Curiosidades & links

https://en.wikipedia.org/wiki/Dracula - Artigo acerca do livro de 1897, bastante interessante.

Rascunho escrito pela mão de Bram Stocker:



Reparem que, a meio da folha, ele riscou "Wampyr" e subtituiu por "Dracula" após pesquisar História da Roménia.

https://en.wikipedia.org/wiki/Vlad_the_Impaler - Artigo acerca de Vlad III Dracula, Vovóide da Valáquia



Última edição por Zé da Adega em Seg Ago 03 2015, 04:04, editado 1 vez(es)
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Daninsky
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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Daninsky em Seg Ago 03 2015, 01:25

A minha opinião acerca deste filme tem sofrido flutuações ao longo do tempo.
Quando saiu eu tinha 14 anos e devo te-lo visto uns tempos depois, claro que na altura achei o filme espetacular.
Conforme fui entrando noutra onda de cinema mais old-school passei a achar o filme muito limpinho e certinho e com qualquer coisa em falta. Claro que tecnicamente é irrepreensível, mas nunca dei grandes abébias a cinema mainstream por essa qualidade, com a quantidade de dinheiro que gastam num só filme tem mais é que ser assim.
Ultimamente já lhe consigo ver outros atributos e reconheço o respeito pelo material de base e pelas adaptações anteriores. Por falar nisso, há uns tempos que não o vejo, tenho de o pôr na lista, deve ser um bom filme para ver em HD.
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Zé da Adega
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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Zé da Adega em Seg Ago 03 2015, 04:02

Bem, por onde haverei de começar...



Vi a tão aguardada e antecipada ante-estreia deste filme, com convite, no cinema São Jorge em 1993, com uma amiga minha da escola. Na altura eu era adolescente e andava na escola secundária. Adorei esta maravilha de filme, então e como agora, quando estou perigosamente perto dos 40. Nunca tinha visto nada assim e resolvi ler o livro original, que a minha irmã tinha na estante, juntamente com a colecção completa da "Pêndulo - Terror à meia-noite". O Drácula era o livro mais espesso de toda a colecção, com as suas 416 páginas, aqui está a capa dele:



Este filme é a adaptação cinematográfica mais fiel ao livro, após muitas décadas em que centenas de filmes trucidaram e faltaram ao respeito ao livro original, com a bela merda da fórmula imbecil e previsível do cinema americano de Hollywood. O Nosferatu do Murnau também se enquadra na fórmula idiótica hollywoodesca, apesar de ser um marco artístico e histórico do expressionismo do cinema mudo alemão, pois é um filme que falta ao respeito ao enredo do livro original.



Mas aqui temos então uma adaptação que respeita a essência do material original. O filme não é exactamente 100% fiel, mas a complexidade, profundidade, riqueza e ambiente do livro estão no filme, algo que é muito raro. Para ilustrar isto, criei um excerto feito à medida desta crítica, que mostra a natureza do livro/filme, a nível de mistério, aventura, suspence, que nada tem a ver com as centenas de adaptações manhosas de cinema, que dão a impressão errada acerca do livro:

Dracula (1992) Borgo Pass from Clips do Zé on Vimeo.



O livro Drácula de 1897 é uma história de mistério e aventura, de tom gótico, apresentada no formato de cartas, diários e artigos de jornais (o percursor literário do género "found footage" de cinema), que nada tem a ver com as adaptações tradicionais juvenis série B da Universal e Hammer. Existe muita gente que não gosta deste filme e prefere os enredos previsíveis/repetitivos dos "horror films", e estão no seu direito pois gostos são gostos. Por exemplo eu não suporto "O Padrinho" do Coppola... não tenho nada de mal a dizer do filme, mas pessoalmente não tenho interesse por temas de gangsters. Similarmente existe pessoal que não suporta este filme, pois não tem nenhum interesse pessoal em ver uma adaptação fiel a um clássico de mistério gótico, e prefere outras coisas.

Cada um gosta do que gosta, e gostos não se discutem. Apenas estou a tentar mostrar o lado de quem aprecia uma adaptação cinematográfica minimamente fiel, de um livro que nos agrada e que foi muito mal tratado no cinema, ao longo da história.



Agora que já falei do primeiro tópico do respeito pelo livro, irei falar do segundo mérito deste filme, que é a obra de arte audio-visual.

Este filme é lindíssimo a nível de fotografia (mas não de cinematografia), música e montagem audio-visual em geral, com destaque para a narração por Anthony Hopkins. Vi uma entrevista com o Francis Ford Coppola, em que ele explica que despediu um gajo que queria meter animações feitas por computador (flagelo do cinema actual) à força e que dizia ser impossível fazer o filme com efeitos especiais old-school. O Coppola fez muitíssimo bem em correr com esse palerma incompetente, que tentou meter desenhos animados cgi para arruinar o filme.

Sendo assim este filme foi feito com efeitos bons convencionais, que não ficam obsoletos e por isso este filme ficará como marco audio-visual para a posterioridade e aguentará bem o teste do tempo.



A nível dos meus círculos pessoais de amigos e amigas, quer da minha geração dos anos 70, quer da geração dos anos 80, este filme é mítico, muito apreciado e considerado de "cultura geral de cinema". Como sabem, as pessoas têm tendência a darem-se mais com quem tem gostos similares, aspecto curioso da natureza humana. Por exemplo uma vez uma amiga contou-me uma historia insólita, a caminho do festival de metal no Sendim, com estradas cortadas devido a incêndios, em que o carro "passou no caminho do castelo do Drácula", e não foi preciso ela explicar que tinha montanha à esquerda e precipício à direita, tal era a nossa referência e impacto deste filme, conforme o screenshot seguinte:



Os aspectos insólitos do relato dela não eram sequer a estrada do castelo do Drácula, mas sim a estrada ter riscos horizontais que levam a uma ravina, uma via que termina num cemitério e não tem saída, e um sujeito no meio da estrada à meia-noite com uma lanterna. Mas a questão aqui é a influência forte deste filme na minha geração, hehehe...



Um quarto tópico que posso ainda abordar tem a ver com o cinema de leste, do qual gosto muito.

Li um comentário acerca do filme romeno Mircea de 1989, em que o comentador (apenas um gajo qualquer no imdb) acha que o Francis Ford Coppola se inspirou nesse filme para criar esta versão do Drácula. Pessoalmente concordo com essa opinião, mas não existe nenhum depoimento do realizador a suportar isso, portanto é apenas uma opinião. Aqui está um vídeo meu do filme romeno que porventura terá inspirado o visual do screenshot anterior:



Estes dois filmes não fazem concorrência um ao outro e são ambos obras-primas e obras de arte 10/10, que para mim representam o melhor de dois sistemas de cinema diferente, o soviético e o norte-americano, que se complementam de uma forma muito bonita. Em 1992 o Coppola inseriu o factor histórico do Vovóide da Valáquia, que eu adorei e continuo a adorar, e quando vi o "Mircea" vinte anos depois, "foi ouro sobre azul". O Drácula de Coppola ganha pelos aspectos artístico, poético e adaptação genial do romance de mistério sobrenatural, mas o Mircea possui o factor histórico e meios de cinema luxuosos e inacessíveis às super-produções americanas, por serem demasiado caros.



Eu diria que o Francis Ford Coppola está de parabéns pelo seu trabalho de produtor, quer neste "Bram Stoker's Dracula", quer no "Mary Shelley's Frankestein" de 1994, também produzido por ele e que é o filme companheiro deste, e que também possui a minha recomendação pessoal máxima:



https://en.wikipedia.org/wiki/Mary_Shelley%27s_Frankenstein_%28film%29

Mas verdade seja dita, o Francis Ford Coppola também foi um malandro que agiu de má fé, ao falsificar o filme soviético "Planeta das Tempestades* / Планета Бурь" (1962), para vender gato por lebre aos povos americanos e europeus. Ao contrário dos colegas realizadores Stanley Kubrick e George Lucas, que reconheceram publicamente a influência desse filme pioneiro, nas suas próprias obras, aqui o Coppola foi o próprio gajo de mau carácter que falsificou pessoalmente o filme. Leiam a história na minha crítica do filme de 1962.



Mas eu "perdoo" o desgraçado do Coppola, pelo mérito dos dois filmes do Drácula e Frankenstein, que salvou os clássicos da literatura das centenas de versões de má fé, que desrespeitam os livros. O balanço da contribuição dele é mais do que positivo.

Será necessário uma escala de 0 a 100 para a classificação que irei dar a este filme...

A minha classificação: 100% + Obra de arte + Marco histórico e pioneiro do Cinema.

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Zé da Adega
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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Zé da Adega em Seg Ago 03 2015, 04:12

Daninsky, gostei do teu comentário.

Espero que ninguém aqui leve a mal a minha crítica. É que eu sou do contra e não me encaixo com a maioria dos gostos. Basicamente eu sei que a maior parte da malta (seja aqui no Xploited ou no planeta em geral) prefere os filmes da Hammer e Universal, e eu apenas tentei explicar porque esse não é o meu caso e qual o mérito deste filme. Mas sou um bocado bruto e sincero a "falar" e podem ficar com a ideia errada que estou a dar na cabeça ao pessoal todo por gostar dos filmes Hammer/Universal, a minha intenção não era essa. Embarassed

Por acaso até gosto de vários filmes da Universal/Hammer e afins, alguns exemplos:

Universal:



Hammer:



Até tenho este calhamaço de screenshots tirados por mim:

Spoiler:








Afins:

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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Daninsky em Seg Ago 03 2015, 22:04

Gostas do Curse Of The Werewolf porque o monstro quase não aparece, só nos minutos finais, senão seria um filme de crianças à Hollywood.
(Foi só uma provocaçãozinha Wink )

Agora a serio, genericamente falando, não admites nenhum desvio nos filmes em relação ao material literário, quando aplicável?
Dependendo de cada caso (claro), eu acho que essas alterações podem e devem haver, muitas das vezes são melhorias. Não estou a advogar que se ignore o original, mas para mim o erro parte do principio que as pessoas associam demais a literatura ao cinema, quando são artes tão distintas. O que funciona às mil maravilhas num meio pode-se revelar desastroso no outro, estar a seguir a fonte a 100% é muitas vezes uma teimosia.
O cinema, enquanto arte, aproxima-se mais da musica que da literatura, pois vive de tons, ambientes, ritmos, que tambem existem na literatura mas de forma muito distinta.
Ainda no outro dia estava a ver um documentário sobre o Hitchcock e houve uma coisa que me ficou na cabeça, uma cena de perseguição apenas funciona no cinema, em papel é uma asneira pegada, e isso ilustra bem o quão distintos são o cinema e a literatura.
Faz sentido que se apoiem uma na outra (afinal de contas têm o mesmo objectivo: contar uma historia), mas fazer depender uma da outra parece-me excessivo e castrante.
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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Daninsky em Seg Ago 03 2015, 22:15

E só para defender a honra do convento dos Universal Horror, mesmo com todas as suas falhas, esses filmes são marcos incontornáveis.
Além de terem sido a verdadeira primeira onda de filmes de terror com som e espalharem o conceito de sequela (que muita gente tem a mania que é uma coisa recente), esses filmes criaram marcas tão fortes que certos dos seus aspectos são hoje vistos como pertencendo à literatura original, tais como o facto de o Dracula ser um gentleman, quando no livro é descrito como um ser repugnante, o facto de morrer no final da história vitima dos raios de sol ou até os versos que se ouvem no Wolfman: "Even the man who is pure in the heart...", que muitos acreditam ser uma lenga-lenga cigana, isso tem tudo origem nos filmes da Universal.
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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

Mensagem por Zé da Adega em Qua Ago 05 2015, 00:28

Daninsky, estou a adorar a tua participação. Eu aqui não disse nada, mas criei em simultâneo esta crítica com o fórum DVD Mania, e fiz lá publicidade (legítima) ao Xploited. Escrevi primeiro aqui e demorei 3 horas a escrever o meu texto, reparei que quando fiz publicar, surgiu o teu primeiro comentário escrito 3 horas antes.

Mas no outro fórum ainda ninguém fez qualquer comentário até agora.

Tu percebeste bem o objectivo da minha crítica (foi mais um testemunho pessoal), eu realmente não gosto que a indústria de Cinema faça histórias de macacadas, em detrimento da história épica do livro Drácula de 1897, em que "o pessoal vai a todo o lado", de comboio, barco, cavalo, carroça, etc. em vários países. A história do livro é complexa e rica, mas os filmes da Universal e afins foram feitos (como tu deves bem saber) como série B, para incluir no pacote vendido às salas de cinema, junto com a série A.

Claro que eu acho graça ao Dracula da Universal, e estou ciente do impacto cultural do filme. O problema é que não é épico e rico conforme a história do livro, e por outro lado sofre do flagelo da fórmula/enredo previsível que os americanos enfiam à martelada em quase todos os filmes que fazem (problema que nunca existiu na literatura, pelo menos neste clássicos).

Conheço filmes (conforme tu indicaste) que têm uma história muito melhor do que o livro em que se baseiam, um exemplo é o "Paperhouse" (acho que já coloquei aqui a minha crítica, tenho de verificar).

EDIT: Verifiquei e já cá tenho a crítica: http://xploitedforum.vampire-legend.net/t2466-paperhouse-1988-bernard-rose

Mas como disse, eu sou do contra e gosto da história do livro, que finalmente é semelhante/representada no filme de 1992, após décadas de falta de respeito e trucidações, por isso dou 100% ao filme.

Em relação ao filme de lobisomens "The Curse of the Werewolf:

Epá! O filme é passado no antigamente, na época das lendas e é assim que eu gosto. Na verdade gostei do filme pelo enquadramento histórico. A imagem seguinte que tirei irá levantar fortes suspeitas:



Ok, eu engarrafei garrafas de vinho em criança na minha adega, com rolhas de cortiça imersas em água a ferver, e uma maquineta à pressão para as enfiar, mas não julguem que eu gostei do filme por este mostrar uma adega espanhola... lol!

Por acaso sou suspeito pelo meu avatar e nickname... drunken

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Re: Bram Stoker's Dracula (1992) - Francis Ford Coppola

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