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Paperhouse (1988) - Bernard Rose

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Zé da Adega
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Paperhouse (1988) - Bernard Rose

Mensagem por Zé da Adega em Sab Maio 23 2015, 03:39

Observações: Estive a verificar e já existe um tópico muito velhinho no fórum Xploited acerca deste filme:

http://xploitedforum.vampire-legend.net/t1792-paperhouse?highlight=paperhouse

A minha crítica foi escrita à dois anos atrás, o que já vem sendo habitual, pois nessa altura andava com tempo e motivação para escrever acerca de cinema. Este filme encaixa perfeitamente aqui no fórum, apesar de eu ter elogiado os aspectos poéticos, dramáticos e artísticos... Para que não surjam dúvidas, irei mostrar um excerto muito negro criado por mim, algum tempo depois de ter escrito o texto seguinte.





Nas Trevas da Noite  / Paperhouse




País de origem: Reino Unido
Título original: Paperhouse
Título nacional (PT): Nas Trevas da Noite

Datas de lançamento:

10 de Setembro de 1988 (Toronto Film Festival)
Fevereiro de 1989 (Portugal - Festival Fantasporto)

Realizador: Bernard Rose
Género(s): Fantasia, Drama
Duração: 92 min
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0098061/
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Paperhouse_%28film%29


Sinopse:

Adaptação livre do conto Marianne Dreams, escrito por Catherine Storr em 1958. Anna, uma menina de onze anos de idade, doente e em estado febril, tem sonhos vívidos baseados nos desenhos que cria. Esses sonhos são partilhados com Mark, um menino com uma doença grave, e que não consegue andar. Anna e Mark não se conhecem na vida real...


Excerto:




Trailer amador:




Prémios:

Brussels International Festival of Fantasy Film

1989 - Won Golden Raven (Bernard Rose)

Fantasporto

1989 - Won International Fantasy Film Award Best Actress (Charlotte Burke)
1989 - Won International Fantasy Film Special Jury Award (Bernard Rose)

Curiosidades:


Jovens actores Charlotte Burke (à esquerda) e Elliott Spiers (à direita)

O actor Elliot Spiers suicidou-se, saltando de uma janela do hospital, durante a pós-produção do seu filme seguinte (Taxandria).

A actriz Charlotte Burke nunca voltou a participar em nenhum filme, após este Paperhouse.

Entrevista a Charlotte Burke (recorte de jornal da época):




Uma obra de arte do Cinema



O Paperhouse é um dos filmes mais tristes que já vi... mas também um dos mais bonitos...

Isto é cinema de autor, mas não é da corrente intelectual. É um belíssimo filme do sub-género "Dark Fantasy", mas com a mais valia do género dramático fortemente apurado.



É um filme inteligente com grande maturidade, destinado a adultos. Para uma criança será também muito interessante, mas muito assustador e perturbador. O lado negro e psicológico deste filme faz-me lembrar o filme de animação Coraline, incluindo o visual da "Casa".

Todo o visual do filme é 5 estrelas, e permanece connosco muito depois de o vermos.



Nesta altura, para resumir a premissa do filme, vou optar por um pequeno conjunto de imagens comentadas, pois será mais rápido do que ler um texto descritivo:


Anne desenha uma casa...


...e sonha com ela.


Quando desenhou um menino à janela, o boneco saiu com uma expressão triste. Ela tenta apagar o boneco com a borracha, mas não consegue.


O menino que ela desenhou é o Mark, outro paciente da pediatra dela, cuja existência ela ainda desconhece.


Mais tarde ela desenha o interior da casa, para a poder visitar nos sonhos.


Anne entra na casa, pela primeira vez.


Anne desenha aos poucos o recheio da casa, como uma máquina de tirar gelados, que não tem cones, e uma pernas para o Mark poder andar, que não resultaram...

O Paperhouse é um filme trágico que deixa uma senação de tristeza após o visionamento. Para agravar o estado de espírito, quando a seguir fui ao wikipedia ler sobre o filme, tomei conhecimento que a escritora do conto original suicidou-se, bem como o actor principal. Para complicar ainda mais a situação, quando fui à procura de um clip no You Tube, para usar na minha ficha técnica, como faço sempre, li uma mensagem escrita pela mãe do actor que se suicidou, no You Tube.

Podem ler o comentário dela, no vídeo que incorporei, a que chamei "trailer".

Nos comentários do IMDB, para além dos da mãe dele, existem ainda os comentários da enfermeira, que trabalhava no hospital, acerca do suicídio.



Este é um excelente filme, a não perder e de visualização obrigatória, que aconselho a toda a gente do fórum. Não acredito que alguém possa desgostar dele, sejam quais forem os seus gostos em Cinema. Julgo que até um rapazinho na fase do cinema de acção e espectáculo, das fitas de Hollywood, se irá render ao encanto da atmosfera fascinante deste filme.

A minha classificação: 10/10


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