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Hard to Be a God (1989) - Peter Fleischmann

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Zé da Adega
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Hard to Be a God (1989) - Peter Fleischmann

Mensagem por Zé da Adega em Sab Maio 23 2015, 02:43

Observações: Ficha técnica de extrema dificuldade de elaboração. Escrevi esta crítica à dois anos atrás, e gostaria de a partilhar no fórum Xploited, pelo aspecto insólito.

Hard to Be a God



Título original I (Russo - União Soviética): Трудно быть богом
Título original II (Alemão - R.F.A., R.D.A., Suiça): Es ist nicht leicht ein Gott zu sein
Título original III (Francês - França, Suiça): Un dieu rebelle
Título Inglês internacional: Hard to Be a God
Nota: Co-produção internacional entre a União Soviética e 3 países da Europa Ocidental: República Federal Alemã, Suiça e França. Produção anterior à queda do muro de Berlim, pormenor pouco claro no IMDB e Wikipédia.
Data de lançamento: 1989 (União Soviética) / 1990 (Alemanha) / 1991 (França)
Realizador: Peter Fleischmann
Género(s): Ficção Científica
Duração: 119 min
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0097292/
Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Hard_to_Be_a_God_%281989_film%29

Sinopse:

Adaptação cinematográfica do livro dos irmãos russos Strugatsky, célebres escritores do género ficção científica, com alguns trabalhos adaptados pelo conhecido realizador Tarkosvky. No caso deste filme, o realizador foi o alemão (do ocidente R.F.A.) Peter Fleischmann, sob fortes objecções dos escritores irmãos Strugatsky. O filme é correctamente equiparado ao aprofundamento de um episódio filosófico das séries Star Trek (TNG, Voyager ou Enterprise), na medida em que explora o conceito da directiva primária, de não-interferência em culturas extraterrestres primitivas.

Trailer:



Curiosidades:

O helicóptero usado no filme, e mostrado no trailer, é um Mi-2, de fabrico soviético, mas com pintura especial. O livro original refere especificamente o uso de um helicóptero, na atmosfera do planeta extraterrestre, apesar da tecnologia humana (naves espaciais inter-estelares) da era futura.


Irmãos Strugatsky, já ambos falecidos.

Foi construída uma cidade completa, à escala, na União Soviética, para representar a cidade alienígena. O conceito de cidade aqui é uma vila medieval. Há quem diga que a escala e meios cinematográficos deste filme, deixaram de ser possíveis no cinema, após a queda da União Soviética.

Ficção científica séria e a sério!



Ena pá! Demorei três meses a ganhar coragem para finalmente atacar a crítica deste filme. Não sei se irá sair bem, mas tive muito trabalho e até criei um excerto legendado em inglês, para vermos o que é realmente a ficção científica filosófica pura e dura.

Este filme é a âncora e o centro da ficção científica, este não foge para o lado da ganância comercial do menino J.J. Abrams, que não faz ideia do que é ficção científica, e também não foge para o lado pseudo-intelectual do Tarkovsky, que entra em delírios e foge ao espírito do livro sci-fi que adapta.

Mas peço a vossa paciência e tolerância pelo comentário anterior, que exprime unicamente o meu gosto pessoal por ficção científica.

Vou então entrar a matar com o referido clip filosófico, com idioma alemão, que tive grande trabalho para preparar e sincronizar as legendas em inglês.



Se alguém quiser traduzir o diálogo deste clip, do inglês para português, eu ficaria agradecido. Digam alguma coisa neste tópico, que coloco o conteúdo do ficheiro srt em spoiler, e basta substituir o texto inglês pelo português. Depois carrego no You Tube, com os devidos agradecimentos.  thumbsup  (O pedido de tradução de inglês para português continua válido em 2015).



Tenho de frisar que esta crítica é muito pessoal. Eu sou fã da sci-fi old school do Twilight Zone, Star Trek, Espaço 1999 (1ª época com aquele professor cientista, interpretado por Barry Morse) e afins. Não gosto mesmo da idade das trevas actual de Hollywood, com meninos como o J.J. Abrams nem tão pouco dos pseudo-intelectualismos do Tarkovsky. São apenas gostos pessoais que não pretendo impingir a ninguém.  Mad

De certa forma até fiquei contente que tivesse sido um realizador alemão ocidental da Repúiblica Federal Alemã a pegar nisto. Os irmãos escritores russos, autores do argumento, ficaram zangados com a escolha e preferiam um realizador russo, mas se o Tarkovsky tem pegado nisto, ficávamos com um filme acerca de nada, em que nada acontecia.  Suspect

Seja como for, eu sei que neste momento está em produção uma nova adaptação russa, por um conceituado realizador russo da velha guarda da era soviética, deste livro. Não faço a mínima ideia de qual será a corrente, mas de seguida irei falar dos meios cinematográficos soviéticos ao serviço desta co-produção internacional, que já não existem.

Este filme utilizou uma cidade medieval inteira (com interiores e afins), construída em solo soviético para um filme anterior, que podem ver no excerto correspondente ao tal filme:


New Adventures of a Yankee in King Arthur's Court. Fantasy Over Mark Twain's Theme. (1988)

O Hard to Be a God não funcionaria sem a contribuição soviética. A nova adaptação russa ao filme é por um realizador velhote da corrente do realismo, que não tem nada a ver com o Tarkosvky, não me lembro do nome dele, mas gostei do trabalho que ele fez nalguns filmes que já vi. O problema é que a actual Federação Russa já não tem os meios que existiam em 1989 num cinema nacionalizado, prestes a cair. Três meses atrás tive muita dificuldade em perceber e descobrir que "Alemanha" era aquela referida na página do filme no wikipedia. Seria a R.D.A., R.F.A. ou a Alemanha re-unificada? Descobri que era a R.F.A. mas foi difícil no meio de tantos países de leste em revoluções, num curto período.



Criei também um outro excerto interessante, mas sem legendas, porque dão trabalho e aqui não são precisas. Tem algumas imagens violentas de enforcamentos ao início, e no fim tem o tal helicóptero polémico, com imagens interiores.

Este helicóptero é polémico numa era futura muito longínqua, em que os seres humanos dominam a viagem mais rápida que a luz (com alguma espécie de warp engine da teoria M ou super-cordas, não faço ideia). Mas os autores russos escreveram claramente que o veículo atmosférico usado para explorar o planeta extra-terrestre era um helicóptero. Se tinha ou não o visual de um helicóptero do século XX não sei...



Este é um filme muito poderoso, que estabelece um paralelo à Europa da Idade das Trevas, completo com uma espécie de Copérnico que inventa um telescópio e na iminência de detectar a nave espacial terrestre em órbita. Os cientistas vêm duma Terra do futuro com uma sociedade mais evoluída, mas ficam revoltados com a miséria, violência, sofrimento e injustiça duma sociedade que é espelho da Europa feudal, e assim violam a directiva primária de não-interferência em sociedades extra-terrestres.



Há muito mais para escrever e analisar sobre esta preciosidade de filme, mas fico-me por aqui. Eu percebo o motivo do Star Trek do J.J. Abrams agradar às massas e dos filmes do Tarkovsky agradarem a um nicho de amantes do cinema artístico-intelectual. Mas nem um nem outro desses dois extremos têm algo a ver com a ficção científica clássica da literatura, cinema e até do próprio espírito científico, seja dos escritores ou cientistas, pelo menos na minha opinião/gostos. E duvido que o Carl Sagan achasse graça a esses dois extremos, logo ele que abordava questões filosóficas nos seus documentários e debates. Suspect



A minha classificação: 10/10
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Zé da Adega
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Re: Hard to Be a God (1989) - Peter Fleischmann

Mensagem por Zé da Adega em Ter Maio 30 2017, 03:40

Trailer musical criado por mim


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