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On the Beach (1959) - Stanley Kramer

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Zé da Adega
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On the Beach (1959) - Stanley Kramer

Mensagem por Zé da Adega em Seg Fev 02 2015, 07:17

Observação: Texto escrito originalmente em Junho de 2013, e actualizado em Fevereiro de 2015.

On the Beach



Título original: On the Beach
Data de lançamento: 17 de Dezembro de 1959 (EUA)
Realizador: Stanley Kramer
Género(s): Drama, Ficção Científica
Duração: 134 min
IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0053137/
Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/On_the_Beach_%281959_film%29

Sinopse:

Algum tempo após a destruição do hemisfério norte, devido a uma plena guerra nuclear, os habitantes da Austrália lidam com a morte certa e pendente devida à radioactividade que se aproxima.

Excerto I:


Gregory Peck festeja o fim do mundo num quarto de hotel. Destaque para a rotação semi-circular da câmera.

Prémios:

1960 - BAFTA "United Nations Award - for the best Film embodying one or more of the principles of the United Nations Charter in 1960"
1960 - Golden Globe Best Motion Picture Score: Ernest Gold
1961 - Won Blue Ribbon Award Best Foreign Language Film: Stanley Kramer


Curiosidades:

Os filmes produzidos por Stanley Kramer, não estavam sujeitos às limitações e restrições do Production Code. Neste sentido não se tratam de filmes de Hollywood, mas sim de Cinema independente e livre de censura.

Este filme norte-americano anti-guerra de 1959, possui a seguinte citação no wikipédia, traduzido da versão russa, dita por um dos célebres irmãos Strugastky (autores de sci-fi, filmes do Tarkovsky, etc.):

"Cultural contributions and influence

This film is now almost forgotten, but in vain. In years when the threat of nuclear holocaust was no less real than the threat today, say, rampant drug abuse, this film has made ​​the world such a terrible and powerful impression that the UN was not even made ​​a decision: to show it in the so-called Day of Peace All countries simultaneously. ...
The movie we literally shook. Picture of the last days of humanity, dying, almost dead already, slowly and permanently radioactive mist clouding the sound of shrill sad melody " Volsing Matilda "...
- Strugatsky, Boris Natanovich 1961 - 1963 years."

Nota: Referência à estreia simultânea mundial nos EUA, URSS, Austrália, etc.

No IMDB:

It is rumored that guards at each end of the Golden Gate Bridge were paid $500 each to stop cars for a minute to get footage of an empty bridge.

The U.S. Department of Defense and the United States Navy declined to cooperate in the production of this film, including access to a nuclear-powered submarine, which forced the film production to use a non-nuclear, diesel-electric Royal Navy submarine, HMS Andrew.

Fred Astaire launched his non-musical, dramatic acting career with this film.

Ava Gardner's first film as a freelance actress after completing her 20 year studio contract where she worked for a weekly salary and didn't benefit financially from being loaned to other studios. She was now free to choose her roles and negotiate her salary.

Gregory Peck was a lifelong opponent of nuclear weapons, and made On the Beach for this reason.


Música Waltzing Matilda

Esta música é considerada um hino não-oficial da Austrália. O título é calão australiano, pois Matilda é a mochila do desempregado vagabundo que vagueia (Waltzing / que dança a valsa).

Versão com letra:




Extinção da humanidade no seguimento da 3ª Guerra Mundial



Stanley Kramer foi um homem que combateu a censura do Production Code (auto-censura que estupidificava e trucidava os filmes dos estúdios de Hollywood), ao pagar do seu bolso filmes independentes, livre das garras dos banksters e das fórmulas restritivas clichés, que ainda hoje em pleno séc. XXI, afligem os filmes dos grandes estúdios de Hollywood, que estão estagnados.

Portanto este On The Beach é um filme progressista (no sentido de avançar a 7ª Arte), e não sujeito ao cinema comercial do tipo "fórmula", a repetir o mesmo formato/enredo/narrativa previsível, durante 100 anos até à exaustão.



A história do filme (1959) é passada 5 anos no futuro (1964), no rescaldo imediato da 3ª Guerra Mundial. Existe a personagem do físico nuclear, interpretada por Fred Astaire, que especula/explica que se calhar algum pobre coitado assustou-se com um brilho no ecrã de radar, e tinha apenas segundos para "carregar no botão".

Esta premissa é profética e aconteceu mesmo em 1983 (ver "incidente Petrov" na minha crítica do filme "As Cartas do Homem Morto").

No livro em que o filme se baseia a explicação é outra. De qualquer modo este actor Fred Astaire com 60 anos de idade, "leva a taça" porque fez a melhor interpretação no filme.



Essencialmente este é um filme dramático, que mostra como as personagens lidam com a morte. Por ser um filme independente (dos estúdios de Hollywood), aborda temas como a eutanásia, suicídio, infanticídio, alcoolismo, depressão, etc.

Ou seja, não é um filme de acção ou catástrofe, não contém apocalipse de zombies, karaté ou super-heróis.

Pessoalmente achei a abordagem do filme, bastante parecida com a ficção científica da série Twilight Zone (1959), e talvez um pouco de Star Trek (1966).



À medida que a radiação letal se aproxima da Austrália, o governo prepara a distribuição de comprimidos de suicídio à população, para evitar a morte lenta por radiação. A certa altura um dos personagens dá a mulher dois comprimidos, para quando chegar a altura, um para ela e outro para a filha bebé. A mulher dele "passa-se", mas ele responde:

"Queres a nossa filha a sofrer, durante 5 dias, contigo caída morta no chão, ao lado do berço dela?"

A imagem seguinte é dessa cena:



A propósito, este actor Antony Perkins da imagem acima, é péssimo. Ele parece maluco/psicopata naturalmente, quando tal não é suposto acontecer na personagem que interpreta. Muito pouco credível, e apenas serve para filmes de psicopatas.

Na imagem abaixo vemos o empregado de mesa, do clube de oficiais, sem nenhum cliente para servir, a dar uma última tacada de snooker, antes do apagão do fornecimento de energia. Gostei da cena.



Este filme foi concebido para consciencializar, quer as massas da população, quer os militares e políticos da U.R.S.S, quer os banksters norte-americanos. O Stanley Kramer era um cineasta muito respeitado na União Soviética, quer pelo governo, quer pelo público cinéfilo. Assim conseguiu uma estreia mundial do filme. E quem sabe se alguém, de ou ou outro lado da cortina de ferro, não terá parado para reflectir e pensar duas vezes, após ver este filme...

Um filme feito pelas razões certas, na altura certa...



Um último clip que crei, onde se vê o Fred Astaire a desempenhar o papel de um cientista bêbado, e onde também aparece o famoso psicopata Anthony Perkins:


    Data/hora atual: Seg Nov 20 2017, 07:44